sábado, 26 de agosto de 2017

RITA LEE LANÇA O LIVRO "DROPZ"


Rita Lee é múltipla. Multiartista que entretém há décadas. Suas músicas já a coroam como poeta. Sua autobiografia é um dos maiores sucessos editoriais do Brasil. Agora, ela nos entrega sua faceta de escritora de ficção. Esse livro de 61 contos, todos com ilustrações feitas por Rita, é múltiplo como ela. Múltiplo como um pacote de drops. Bem sortido. Para todos os gostos. Ora melado, ora azedinho, ora misterioso. Mas sempre delicioso. E quem te conhece, não se esquece: o “Dropz” da Rita é com Z. Guilherme Samora é jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee!


Características

PESO     0.390 Kg
PRODUTO SOB ENCOMENDA    Sim
MARCA                Globo Livros
I.S.B.N. 9788525065124
ALTURA               23.00 cm
LARGURA           16.00 cm
PROFUNDIDADE              1.00 cm
NÚMERO DE PÁGINAS 272
IDIOMA               Português
ACABAMENTO Brochura
NÚMERO DA EDIÇÃO    1
ANO DA EDIÇÃO              272
PAÍS DE ORIGEM             Brasil




RELANÇAMENTO DO LP ATRÁS DO PORTO TEM UMA CIDADE (1974)


Relançamentos de Rita: Atrás do Porto tem uma Cidade
Se um relançamento da Rita já nos anima, imagina dois!

Além de “Hoje é o Primeiro Dia do Resto de sua Vida”, o disco “Atrás do Porto tem uma Cidade”, do ano de 1974, também foi relançado em Vinil pela Polysom.



Pouco tempo após sua saída do grupo Os Mutantes, Rita Lee apresentou seu terceiro disco solo, “Atrás do Porto Tem uma Cidade” (1974). Esse trabalhou marcou o início de outra parceria importante da carreira da cantora, com a banda Tutti Frutti.

“Atrás do Porto tem uma Cidade” é responsável pelo início da consagração do trabalho solo de Rita, esse agora volta às lojas em vinil de 180 gramas, pela coleção “Clássicos em Vinil”, da Polysom.
O álbum é um trabalho produzido por Marco Mazzola, que traz 10 faixas, todas de autoria de Rita, sendo algumas com os parceiros Luiz Sergio e Lee Marcucci. Entre os destaques, estão as músicas “Mamãe Natureza”, “De Pés no Chão”, “Menino Bonito” e “Ando Jururu”.

Não tem como não ficar emocionado com tanto disco bom voltando para as nossas vitrolas.



Faixas do Discos:

Lado A

1. De Pés No Chão
2. Yo No Creo Pero...
3. Tratos A Bola
4. Menino Bonito
5. Pé De Meia

Lado B

1. Mamãe Natureza
2. Ando Jururu
3. Eclipse Do Cometa
4. Círculo Vicioso
5. ...Tem Uma Cidade

domingo, 19 de fevereiro de 2017

BOX RITA LEE COM 21 CDS INCLUINDO TODOS DA FASE TUTTI-FRUTTI



Pela primeira vez em sua carreira a maior roqueira do Brasil de todos os tempos tem a sua obra reunida em uma caixa de luxo. Todos seus 20 álbuns foram remasterizados digitalmente com todo o material gráfico detalhadamente refeito, tornando a caixa um projeto único que demorou um ano para ser produzido.
Rita Lee, é a autora e intérprete de dezenas dos maiores sucessos do Brasil como, 'Ovelha Negra', 'Mania de Você', 'Lança Perfume', 'Baila Comigo', 'Banho de Espuma', 'Desculpe o Auê', 'Erva Venenosa', 'Agora Só Falta Você', “Doce Vampiro”, “Cor de Rosa Choque”, “Menino Bonito”, “Flagra”, “Baila Comigo”, Esse tal de Rock Enrow”, “Jardins da Babilônia”, “Bwana”, “Caso Sério”, “Chega Mais”, “Fruto Proibido”, entre muitas e muitas outras canções que sacudiram e embalaram a juventude brasileira nas últimas décadas com suas melodias marcantes e letras fortes e inteligentes.

Acompanha a caixa dura de luxo, um CD bônus com as mais diversas Pérolas da artista, que não fizeram parte de nenhum álbum de sua carreira como “Sassaricando”, tema de novela, “Felicidade”, comercial de TV e “Dias melhores virão” de um filme homônimo.

CD'S:




CD 1 - Build Up
CD 2 - Hoje É O Primeiro Dia Do Resto Da Sua Vida
CD 3 - Atrás Do Porto Tem Uma Cidade
CD 4- Fruto Proibido
CD 5 - Entradas E Bandeiras
CD 6 - Refestança - com Gilberto Gil
CD 7 - Babilônia
CD 8 - Rita Lee (1979)
CD 9 - Rita Lee (1980)
CD 10 - Saúde
CD 11 - Flagra
CD 12 - Bombom
CD 13 - Rita e Roberto
CD 14 - Flerte Fatal
CD 15 - Zona Zen
CD 16 - Rita Lee e Roberto De Carvalho
CD 17 - Santa Rita De Sampa
CD 18 - Acústico
CD 19 - Rita Lee 3001
CD 20 Rita Lee ao vivo
CD 21 Pérolas 



CD 1 - Build Up
1. SUCESSO, AQUI VOU EU
2. CALMA
3. VIAGEM AO FUNDO DE MIM
4. PRECISAMOS DE IRMÃOS
5. MACARRÃO COM LINGUIÇA E PIMENTÃO
6. JOSÉ (JOSEPH)
7. HULLA-HULLA
8. AND I LOVE HER
9. TEMPO NUBLADO
10. PRISIONEIRA DO AMOR
11. EU VOU ME SALVAR


•CD 2 - Hoje É O Primeiro Dia Do Resto Da Sua Vida
1. VAMOS TRATAR DA SAÚDE
2. BEIJA-ME, AMOR
3. HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DA SUA VIDA - FAIXA
4. TEIMOSIA
5. FRIQUE COMIGO
6. AMOR BRANCO E PRETO
7. TIROLEITE
8. TAPUPUKITIPA
9. DE NOVO AQUI MEU BOM JOSÉ
10. SUPERFÍCIE DO PLANETA



•CD 3 - Atrás do Porto Tem Uma Cidade
1. DE PÉS NO CHÃO
2. YO NO CREO PERO...
3. TRATOS À BOLA
4. MENINO BONITO
5. PÉ DE MEIA
6. MAMÃE NATUREZA
7. ANDO JURURU
8. ECLIPSE DO COMETA
9. CIRCULO VICIOSO
10. ...TEM UMA CIDADE



•CD 4 - Fruto Proibido
1. DANÇAR PRA NÃO DANÇAR
2. AGORA SÓ FALTA VOCÊ
3. CARTÃO POSTAL
4. FRUTO PROIBIDO
5. ESSE TAL DE ROQUE ENROW
6. O TOQUE
7. PIRATARIA
8. LUZ DEL FUEGO
9. OVELHA NEGRA



•CD 5 - Entradas E Bandeiras
1. CORISTA DE ROCK
2. LADY BABEL
3. COISAS DA VIDA
4. BRUXA AMARELA
5. DEPARTAMENTO DE CRIAÇÃO
6. SUPERSTAFA
7. COM A BOCA NO MUNDO
8. POSSO CONTAR COMIGO
9. TROCA TOCA



•CD 6 - Refestança - com Gilberto Gil
1. REFESTANÇA
2. É PROIBIDO FUMAR
3. ODARA
4. DOMINGO NO PARQUE
5. BACK IN BAHIA
6. GILÓ
7. OVELHA NEGRA
8. EU SÓ QUERO UM XODÓ
9. DE LEVE (GET BACK)
10. ARROMBOU A FESTA - LIVE
11. REFESTANÇA - LIVE



•CD 7 - Babilonia
1. MISS BRASIL 2000
2. DISCO VOADOR
3. AGORA E MODA
4. JARDINS DA BABILÔNIA
5. O FUTURO ME ABSOLVE
6. SEM CERIMÔNIA
7. QUE LOUCURA
8. EU E MEU GATO
9. MODINHA



•CD 8 - Rita Lee
1. CHEGA MAIS
2. PAPAI ME EMPRESTA O CARRO
3. DOCE VAMPIRO
4. CORRE-CORRE
5. MANIA DE VOCÊ
6. ELVIRA PAGA
7. MARIA MOLE
8. ARROMBOU A FESTA NÚMERO 2



•CD 9 - Rita Lee [ Rita Lee ]
1. LANÇA PERFUME
2. BEM-ME-QUER
3. BAILA COMIGO
4. SHANGRILA
5. CASO SÉRIO
6. NEM LUXO NEM LIXO
7. JOÃO NINGUÉM
8. ORRA MEU



•CD 10 - Saude
1. SAUDE
2. TATIBITATI
3. MUTANTE
4. TITITI (GALINHAGEM)
5. BANHO DE ESPUMA
6. ATLANTIDA
7. FAVORITA
8. MAMÃE NATUREZA



•CD 11 - Flagra
1. FLAGRA
2. BARRIGA DA MAMÃE
3. BARATA TONTA
4. FROU-FROU
5. VOTE EM MIM
6. SÓ DE VOCÊ
7. COR DE ROSA CHOQUE
8. PIRATA CIGANO
9. O CIRCO



•CD 12 - Bombom - com Roberto De Carvalho
1. ON THE ROCKS
2. DESCULPE O AUÊ
3. TENTAÇÃO DO CÉU
4. FISSURA
5. DEGUSTAÇÃO
6. ARROMBOU O COFRE
7. MENINO
8. STRIP TEASE
9. RAIO X
10. BOBOS DA CORTE
11. PIRARUCU
12. YOKO ONO
13. ARROMBOU O COFRE - INSTRUMENTAL



•CD 13 - Rita E Roberto - com Roberto De Carvalho
1. VIRUS DO AMOR
2. YE YE YE
3. VITIMA
4. MOLAMBO SOUVENIR
5. GLORIA F
6. NAVE MARIA
7. NOVICAS DO VICIO
8. CHOQUE CULTURAL
9. NÃO TITIA



•CD 14 - Flerte Fatal - com Roberto De Carvalho
1. BRASYX MUAMBA
2. FLERTE FATAL
3. BUANA
4. ME RECUSO
5. BLUE MOON
6. PEGA RAPAZ
7. MUSICO PROBLEMA
8. PARA COM ISSO
9. PICOLO MARINA
10. XUXUZINHO



•CD 15 - Zona Zen - com Roberto De Carvalho
1. NUNCA FUI SANTA
2. INDEPENDENCIA E VIDA
3. LIVRE OUTRA VEZ
4. SEM ENDEREÇO (MEMPHIS, TENNESSEE)
5. ZONA ZEN
6. CRUELA CRUEL
7. CECY BOM (C'EST SI BON)
8. MANA MANE



•CD 16 - Rita Lee E Roberto De Carvalho
1. PERTO DO FOGO
2. CORAÇÃO EM CRISE
3. UMA NOITE EM HONG KONG
4. E A VIDA
5. VOLTA AO MUNDO
6. ESFINGE
7. TIPO INESQUECÍVEL
8. FARSA
9. LA MIRANDA
10. LA JAVANAISE



•CD 17 - Santa Rita De Sampa
1. SANTA RITA DE SAMPA
2. NORMAL EM CURITIBA
3. FRUTA MADURA
4. O QUE VOCÊ QUER
5. JARDIM DE ALLAH
6. ANDO JURURU
7. TUM TUM
8. LONGE DAQUI, AQUI MESMO
9. HOMEM VINHO / CITAÇÃO - O QUE É A BAIANA TEM?
10. DONA DOIDA / INCIDENTAL - CADÊ ZAZÁ
11. OBRIGADO NÃO
12. MENINO DE BRAÇANÃ



•CD 18 - Acustico [ Live ]
1. AGORA SÓ FALTA VOCÊ
2. JARDINS DA BABILONIA
3. DOCE VAMPIRO
4. LUZ DEL FUEGO
5. NEM LUXO, NEM LIXO
6. ALO! ALO! MARCIANO
7. EU E MEU GATO
8. BALADA DO LOUCO
9. PAPAI ME EMPRESTA O CARRO
10. O GOSTO DO AZEDO
11. GITA
12. FLAGA
13. DESCULPE O QUE
14. COISAS DA VIDA
15. TE VE
16. MANIA DE VOCÊ
17. LANÇA PERFUME
18. OVELHA NEGRA - LIVE AT TEATRO JOÃO CAETANO/RIO DE



•CD 19 - Rita Lee 3001
1. 3001
2. 2001
3. VOCÊ VEM
4. ERVA VENENOSA (POISON IVY)
5. MENTIRAS
6. REBELDADE
7. PAGU
8. O AMOR EM PEDAÇOS
9. COBRA
10. ENTRE SEM BATER
11. AVISO AOS MELIANTES
12. HISTÓRIA SEM FIM



•CD 20 - MTV Ao Vivo
1. SAÚDE
2. MEIO-FIO
3. MAMÃE NATUREZA
4. ESSE TAL DE ROQUE ENROW
5. AMOR E SEXO
6. PANIS ET CIRCENSES
7. LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS
8. CORAÇÃO BABÃO
9. PAGU
10. BAILA COMIGO
11. CASO SÉRIO
12. EU QUERO SER SEDADO
13. ANDO JURURU
14. TUDO VIRA BOSTA



•CD 21 - Pérolas
1. ARROMBOU A FESTA
2. LÁ VOU EU
3. CAÇADOR DE AVENTURA
4. STATUS
5. LOCO-MOTIVAS - 1997 DIGITAL REMASTER
6. AMBIÇÃO
7. DIAS MELHORES VIRÃO
8. FONTE DA JUVENTUDE
9. SASSARICANDO
10. FELICIDADE
11. SAMBA DO ARNESTO
12. O QUE É QUE A BAIANA TEM?
13. I, YI, YI, YI (I LIKE YOU VERY MUCH)

RITA LEE AUTOBIOGRAFIA



"Do primeiro disco voador ao último porre, Rita é consistente. Corajosa. Sem culpa nenhuma. Tanto que, ao ler o livro, várias vezes temos a sensação de estar diante de uma bio não autorizada, tamanha a honestidade nas histórias. A infância e os primeiros passos na vida artística; sua prisão em 1976; o encontro de almas com Roberto de Carvalho; o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos; os tropeços e as glórias. Está tudo lá. E você pode ter certeza: essa é a obra mais pessoal que ela poderia entregar de presente para nós. Rita cuidou de tudo. Escreveu, escolheu as fotos e criou as legendas - e até decidiu a ordem das imagens -, fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas... Entregou o livro assim: prontinho. Sua essência está nessas páginas. E é exatamente desse modo que a Globo Livros coloca a autobiografia da nossa estrela maior no mercado.” Guilherme Samora é jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee."

CAPA DO ÁLBUM TUTTI-FRUTTI 1973

ESSA RARIDADE MUSICAL NÃO FOI LANÇADO OFICIALMENTE. CENSURADO EM 1973

terça-feira, 22 de outubro de 2013

RITA LEE & TUTTI-FRUTTI - ENTREVISTA REVISTA MÚSICA - 1977


 
"Com a taxativa afirmação 'passarinho na gaiola não esquece de cantar', Rita Lee Jones prepara a sua volta.
No ano passado, dois acontecimentos alteram substancialmente a sua carreira.. Primeiro, a sua prisão após a gravação do elepê 'Entradas e Bandeiras' e, segundo, o desentendimento e consequente separação de Mônica Lisboa, sua empresária há cinco anos. Neste ano, os fatos parecem promissores. O nascimento de Roberto Lee, em março, a gravação de um novo disco com o Tutti-Frutti, acrescido de Roberto Carvalho, dividem com a 'Trampo Produções Artísticas', firma fundada há seis meses, as atenções da cantora.. Mas isso não é tudo, pois ainda este ano haverá a sonhada excursão com Gilberto Gil. No palco estarão as duas bandas, músicas de Rita e do compositor, além de composições novas. Na verdade, um caminho novo, 'uma terceira coisa'. No ano que vem, um circuito incluirá a América Latina, terminando nos Estados Unidos.
No próximo disco, as letras obedecerão à temática habitual da cantora: humor/ realidade/ eu quero matar a vontade/ Enquanto tenho saúde e idade/ Fazer um pouco de tudo/Vender minha alma pra comprar tudo/ Vender a minha alma pra comprar o meu mundo. ('Ambição')
Música - O que é rock no Brasil?
Rita - Até há pouco tempo, eu não queria mais falar em rock. De tanto que se está tentando definir uma coisa que justamente se propõe à não-definição, já que é a abertura total. Mas sempre tem um pessoal tentando definir esse tal de rock'n roll. Essa tentativa fica meio pobre. Os próprios roqueiros tentando se definir já é uma bobagem. Além, ainda, das pessoas que acham rock uma cultura estrangeira invadindo o Brasil. Eu acho que rock é aquele negócio que sai de dentro da gente. É a verdade de cada um.
Música - Quais a dificuldades a se enfrentar?
Rita - Tudo é muito difícil porque o rock, basicamente, depende de instrumentos, de equipamento de som, da tecnologia mais avançada que existe. Algumas pessoas pensam que é moda, outras ainda pensam que está cortando, que é o mercado estrangeiro invadindo o Brasil.
Música - Seria então uma experiência não assimilada pela nossa cultura?
Rita - Realmente, não foi. É uma coisa que eu vejo pela criançada, o público que eu atinjo, dos três aos 15 anos de idade. A meninada canta, entende a minha música. E não tem aquela mensagem filosófica chata. Mas muitas pessoas querem manipular o rock. Qual é a filosofia do rock?
Música - Essa necessidade de rotulação parte de quem?
Rita -  A necessidade parte do próprio brasileiro. Ele é muito preocupado, talvez por complexo, em definir a sua música. A música brasileira sempre passou por movimentos devidamente rotulados. Passou pela Bossa Nova a rotularam., Jovem Guarda, rotularam. Tropicalismo, rotularam. Queriam também rotular o rock, para ser moda e passar. Acontece que não é isso. Gilberto Gil é uma pessoa que sempre mostrou e jogou o que pensava.
Música -  Qual a saída pra isso?
Rita - A criançada não está preocupada. Por isso é que estou dirigindo o meu trabalho para eles. Porque são pessoas que não têm esse tipo de informação. Na época do Gil, quando eu comecei com os Mutantes, nos festivais era proibido tocar guitarra elétrica. Quantas vezes a gente recebeu abaixo-assinado para sair dos festivais de música brasileira. Mas chegaram os baianos e deram novas informações para a gente como 'vamos juntar tudo e partir para outra'. Foi esse o grande toque que eu recebi do Gil. Hoje, você já ouve o Martinho da Vila com uma guitarra, e é Gibson, não é Gianini não.
Música - Além da dificuldade para o equipamento, o que mais um roqueiro enfrenta?
Rita -  Realmente, o equipamento é muito caro. E a carteirinha da Ordem dos Músicos não ajuda nada. Com  a carteirinha, você poderia poder importar, porque é seu instrumento de trabalho. O pessoal que pretende fazer um grupo de rock, por exemplo, em primeiro lugar tem que ter uma equipe. Pessoas com determinadas funções, para que a coisa funcione.
Eu não posso cuidar da grana e pensar em música ao mesmo tempo. Na minha equipe, tenho engenheiros de som, gente que cuida do cenário, dos efeitos especiais, luz, montagem, etc. Quem tenta fazer um grupo de rock, tem que ter um trabalho musical, tem que funcionar em equipe mesmo, para não falhar. E o melhor exemplo talvez seja o festival de rock. Todos os festivais que se tentou fazer no Brasil foram  qualquer coisa. Nunca houve um festival organizado onde cada grupo tivesse seu equipamento de som, seu técnico para cuidar de tudo.
Música - E por que?
Rita - Para começar, o grande erro é da parte de quem organiza o festival. Geralmente, não se tem a menor noção do que é. Os organizadores acham que rock é qualquer coisa. Tem que ser de graça, porque é tirar um som. Eu fiz Saquarema pensando que fosse melhor. E não era. Cheguei e já me pediram o piano emprestado. Eu não gosto de emprestar equipamento de som. Às vezes fico antipatizada por isso. Mas as pessoas não sabem da dificuldade da manutenção de tudo. Quem não tem equipamento de som, não sabe cuidar. E o pessoal que organiza não sabe disso. Não sabe mesmo que cada grupo tem que ter seu equipamento de som. Não adianta convidar um grupo que não tenha engenheiro de som. O negócio de emprestar pode ser bonito, mas não funciona. O grande erro dos festivais foi iludir tanto os grupos quanto o público. Hoje em dia, festival é uma coisa queimada., vista como um centro de drogas. E o público do Brasil também não está acostumado, disciplinado para isso. Em Saquarema, depois que a gente saía do palco, era uma sujeira, todo mundo comia sanduíche e jogava. Isso é rock no Brasil. Sujeira, qualquer coisa, pobreza e drogas."
 
 
 
Música - Como é a situação musicalmente?
 
Rita - Eu sinto uma grande má informação nos próprios grupos. A respeito de Brasil mesmo. Eles estão preocupados em copiar. É lógico que recebo influência, mexo com guitarras, com sintetizador, ouço e me influencio pelas coisas de fora. Mas isso não impede de desenvolver um trabalho aqui, principalmente em termos de letra. E os rockeiros daqui não estão preocupados com letra, uma coisa muito importante no Brasil. Em todos os movimentos de música, o forte era a letra. No Tropicalismo, na Bossa Nova. No rock é o céu, o arco-iris. Eles fazem uma cópia mal feita. Isso pode ser atribuído à falta de informação cultural e ao comodismo. Pegar o que já foi feito lá fora e achar que vai dar certo aqui. Mas o brasileiro já sabe o que quer. Essa meninada canta todas as minhas letras. Muita gente me diz 'eu me sinto a ovelha negra'.
Música - Como reagem gravadoras e empresários?
Rita - Os empresários são uns aproveitadores. Eles sabem que rock dá dinheiro. Eles veem o Peter Frampton estourando e imaginam lançar um cantor semelhante. Querem fabricar uma coisa, o que também não dá certo. Nas gravadoras, a principal fabricação é financeira. Elas querem sugar, vender rápido, querem paradas de sucesso. Não querem investir, dirigir um grupo. Querem tudo pronto. A gravadora não tem muita visão. Na minha época da Phonogram, por exemplo, eu tinha acabado de sair dos Mutantes e era o meu primeiro trabalho com o Tutti-Frutti. Eu pretendia um trabalho de não levar as pessoas a sério, mas propositadamente. Mostrar para as pessoas o porquê de não levar a sério. Mas a Phonogram me deu uma brecada. Elas não tiveram paciência de esperar e optaram pelo João Ricardo. Eu resolvi sair. Resultado: o maior desastre da Phonogram não fui eu, foi o João Ricardo.Ele é o grande exemplo da coisa fabricada.
Música - E hoje?
Rita - A Som Livre não interfere em nada. E eu já tenho muita estrada, sei realmenbte o que quero fazer. A Som Livre tem a estrutura da Globo mas, se você não tem um bom trabalho, não adianta. O público tem ouvido, sabe se o artista é aquilo mesmo. O meu público, quando vai me ver, não quer saber da mensagem filosófica. Eles sentem a minha letra, se identificam, mas querem brincar, se divertir, dançar, ouvir um solo de guitarra e ver a minha roupa.
Música - A imagem é, então, um dado fundamental?
Rita - Eu sempre me preocupei. Desde a época dos Mutantes, da minha roupa de noiva grávida. No palco tudo é exagerado, mas no sentido do público notar, de ser 'appeal'. Pela minha roupa, eu posso dizer o que quiser para as pessoas e elas me entendem. Eu gosto de divertir as pessoas, mas não é só. Depois dos Mutantes, eu comecei a desenvolver mais as letras das músicas. Aquela letra boba, aquelas brincadeiras. Resolvi continuar brincando, mas consequentemente. Através da brincadeira eu vou falando uma porção de coisas. Às vezes a crítica fala que sou meio inconsequente, que não levo nada a sério. É exatamente isso que eu quero.
Música -  Como você vê a evolução do rock no Brasil?
Rita - Quando o pessoal começou a falar em rock, já era um negócio meio nostálgico: Elvis Presley, moto, etc. A proposta, na verdade, é a abertura de tudo. É poder usar todos os estilos de música, não ter limitação de nada. Se quiser fazer um tango, eu posso fazer. Como se quiser um baião ou xaxado, também posso. Rock é tudo. O que vai ocorrer é o desenvolvimento de uma música vinda de um equipamento de som, de um equipamento eletrônico. Mas a grande preocupação é o toque brasileiro dentro do que está sendo feito lá fora. Tanto que o pessoal já está vindo, já está de olho. A gente tem que pegar isso antes deles. A percussão, principalmente. Agora, não sei até que ponto o pessoal de escola de samba deixa o bloco do rock desfilar na rua.

Música - E os grupos brasileiros?
Rita - Os grupos não podem copiar. Tem muita cópia, muita cópia mesmo. Mas certas pessoas fazem um negócio bom. Eu gosto muito do Guilherme Arantes. Gosto muito das Frenéticas. O Joelho de Porco pode parecer engraçado, mas é um negócio que já foi feito lá fora. Gosto também da simplicidade do Made In Brazil. O Terço é um conjunto muito bom. Mas eu escuto e confundo com o Focus, com o Genesis. Se não fosse a letra em português, eu não saberia.
Música -  Você exerce uma considerável influência na faixa de público dos 11 aos 15 anos. Qual sua posição frente a isso?
Rita -  Chegar no palco e ver sete mil pessoas para escutat você não deixa de ser uma responsabilidade. Eu procuro fazer o máximo de qualidade possível. Desde o primeiro trabalho com o Tutti-Frutti, existe um público que me acompanha. E que cresce cada vez mais. Eu quero oferecer a ele o que sou. As coisas que eu vivo, como a prisão e o nenê. A responsabilidade que eu tenho é me mostrar, é a verdade que está em mim. Eu só quero que as pessoas me vejam como eu sou. Realmente, o público está de olho em mim com o negócio do nenê. Na música 'Essa Tal de Roque Enrow' eu me colocava como filha. Essa meninada quer me ver agora como mãe. E eu gosto desse clima. Gosto de mostrar isto pra ela.
Música - Se a gravadora espera um grupo já pronto e os próprios grupos não se adaptam à realidade, como romper o círculo?
Rita - Com muito estudo, paciência, ensaio e principalmente saber exatamente o que fazer. Os grupos têm que saber que as gravadoras são todas tapadas. É preciso também muita disciplina. Poucos grupos ensaiam a sério. Não existem empresários, e quando eficientes são desonestos. Os honestos são deficientes. Eu sou uma pessoa que passa o dia todo escrevendo, tocando um instrumento, me aperfeiçoando. Certas pessoas fazem uma música e acham que é um trabalho pronto. É uma ilusão as pessoas pensarem que, de repente, num passe de mágica, vão acontecer.

1977