quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

DISCO ATRÁS DO PORTO TEM UMA CIDADE - RITA LEE & TUTTI-FRUTTI 1974

Atrás do Porto Tem uma Cidade é o primeiro disco verdadeiramente solo de Rita Lee, que marcou o início de sua carreira na música pop brasileira. Lançado em 1974, o LP conta com 10 faixas, com as imperdíveis "De Pés No Chão", "Ando Jururu" e "Eclipse do Cometa". 

Quando saiu, em 1974, Atrás do Porto tem uma cidade foi ao mesmo tempo o terceiro e o primeiro disco solo da Rita Lee. Terceiro porque se seguiu a Build up, lançado em 1970, e Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida , de 1972. primeiro porque, embora continuasse uma mutante, ela já não fazia parte do grupo que a projetou e que ela ajudou a projetar, Sergio, Arnaldo, Liminha e Dinho, os outros Mutantes, ficaram no passado. Rita estava sozinha, espanando a angústia e encontrando novos cúmplices.

 Rita deixou o grupo em 1973. Ná época, a saida foi apresentada como espontânea, mas anos depois a própria Rita admitiu ter sido convidada a sair. Uma grande decepção, que Rita trasformou em música. "Não sei se estou pirando, ou se as coisas estão melhorando" , cantou ela , no colo da Mamãe natureza. Ainda em 73, Rita encontrou na guitarrista Lúcia Turnbull a parceira para Cilibrinas do Éden, e voltou aos palcos. Depois, chegaram o baixista Lee Marcucci, o guitarrista Luis Carlini e o baterista Emilio Colantorio. Estava formado o Tutti-Frutti. Rita estava pronta pra debutar de novo.

"E pensar que eu passei todo esse tempo investindo no meu Know-how/ E pensar que eu quase me danei apostando no meu background/Ando jururu/ I know not what to do/ Quero encontrar pelo caminho um cogumelo de zebu. "Rita encontrou muito mais que isso. Apesar das concepções diferentes da artista e do produtor , Mazolla, sobre o disco, Atrás do porto... mostrou que Rita, mesmo só, não era de brincadeira. Ou melhor, era. Ela trocou os flertes com o rockprogressivode seus ex-companheiros por uma sonoridade mais pop, misturou Rolling Stones e purpurina, piada e peso. Estava pronta a primeira e vigorosa demonstração do talento de Rita. Talento que fez dela a primeira-dama do rock nacional, ou, como ela diz hoje, a titia dos roqueiros.

Lado A

1. De Pés No Chão
2. Yo No Creo Pero...
3. Tratos a Bola
4. Menino Bonito
5. Pé de Meia

Lado B

1. Mamãe Natureza
2. Ando Jururu
3. Eclipse do Cometa
4. Circulo Vicioso
5. Tem Uma Cidade


Curiosidades:

Na época da gravação do disco, Rita começou a sentir que o interesse do presidente da Philips, André Midani, em sua pessoa, era bem mais do que apenas musical. Os dois começaram um affairzinho que Rita levou adiante um pouco por querer se vingar de Arnaldo (que não gostava de André), um pouco por querer ver seu disco bem trabalhado. Não adiantou nada: a gravadora não gostou do disco, nem investiu um tostão furado. Rita rompeu ao mesmo tempo com André e com a Philips, puta da vida, no meio de uma reunião do tal "grupo de trabalho" da Philips (para a qual tinha ido viajando de ácido).

+ Rola uma lenda que algumas letras do disco Atrás do porto... teriam sido censuradas, o que teria abortado ainda mais o processo. Se é lenda ou não, o fato é que o logotipo do disco lembra vagamente a bandeira do Brasil. E a tal "cidade" da capa lembra muito um mapa do Brasil também. Lendas e mais lendas...

+ A ficha técnica do disco foi toda escrita à mão por Rita, em forma de diário - algo que foi mantido na versão CD. Entre um crédito e outro, há mensagens cifradas (como o agradecimento a "baurets"), recados pessoais e verdadeiras crônicas do momento pelo qual Rita passava, gravando um disco e querendo vê-lo acontecer.

+ Além do disco, há gravações de Rita na Philips que só saíram em singles ou em coletâneas, como "Paixão da minha existência atribulada" (ao lado de Lucia Turnbull) e "Nessa altura dos acontecimentos", além das três faixas ao vivo do LP Hollywood Rock, de 1975 (breve neste blog), "E você ainda duvida?", "Minha fama de mau" e "Mamãe Natureza". Há também um dueto entre Rita e Erasmo Carlos, "Minha fama de mau", que saiu num disco de carreira de Erasmo, Erasmo Carlos Convida..., de 1980. Nenhuma dessas gravações foi resgatada em CD.

+ O encarte do LP original - mantido na reedição em CD - trazia um pôster da banda, no maior clima lambisgóia-new-york-dolls (com destaque para Rita quase fantasiada de Ziggy Stardust).

+ Além de Atrás do porto..., Rita ainda chegou a iniciar as gravações de um segundo disco com o Tutti-Frutti pela Philips. O disco, que seria a primeira produção assinada por Liminha, não foi lançado por causa da rescisão de contrato de Rita com a Philips. Mas nos anos 90, o jornalista e investigador musical Marcelo Fróes (também editor do tablóide International Magazine) tentou lançar o disco, já em CD. Marcelo teve apoio de Rita, mas esbarrou em problemas com um dos músicos do Tutti Frutti, que registrou o nome da banda (coisa que nem Rita fez) e exigiu receber royalties. Uma pena.


fontes: blog'n'roll, polygram

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