domingo, 9 de janeiro de 2011

RITA LEE MATÉRIA "UMA CANTORA DE MUITO BARULHO" DA REVISTA O CRUZEIRO 19 DE DEZEMBRO DE 1973

Rita Lee, americana, da cidade de Americana, no interior de São Paulo, filha de pai americano mesmo e mãe paulista –também mesmo-, se faz entender em várias línguas: speaks english, parla italiano, diz o que quer em português e saca muito bem a gíria da moçada. Musicalmente, Rita surgiu em conjunto, ladeada por dois jovens mutantes. Portadora de um corpinho esguio e um rostinho ingênuo e very sexy só existe a lembrança. Rita é mulher   e atriz.
Atriz e cantora. Cantora e instrumentista. No show do Tutti-Frutti, Rita tira uma de eclética. Começa soprando uma flauta, no melhor estilo de Altamiro Carrilho ou Benedito Lacerda. Depois,  abraça-se ao violão, de onde tira notas de grande valor. Não satisfeita, emite, através de um sintetizador moog – um instrumento estranho que solta sons ainda mais  estranhos -,tudo quanto é espécie de ruídos.
E, para esnobar, Rita Lee se entrega a um tal de melotron, um instrumento que, em português, poderia, sem favor algum, ser batizado com o apelido papa-sabe-tudo. O treco, quando bem tocado, imita da bateria à harpa. Se Rita mexer com todos os botões, pode sair desde um sambão  telecoteco  até o Clair de Lune, de Debussy. É questão de dia e de hora. E de gosto.
 
Tudo isso a gente encontra em Tutti-Frutti. Tudo isso e muito mais. Tutti-Frutti é muito mais um show  do que uma salada de frutas, embora, no intervalo, seja exibido um filme em que Rita come uma maçã com casca e tudo. Depois ela descome, isto é, o mesmo filme é exibido detrás pra frente e ela devolve tudo. Além de todas estas mumunhas, Rita Lee ainda interpreta uma carrada de músicas. Acompanhada de uma gang legal, Rita já se apresentou em São Paulo, fez todo o Sul  e, terminando de fazer no Rio, se manda para o Nordeste, começando pela Bahia. Que te vayas bien.
Matéria: revista O Cruzeiro 19 de Dezembro de 1973 nº 51 Rio de Janeiro



Texto de Orlandino Rocha & fotos de Indalécio Wanderley
-Mil transas, muita curtição e aquele grilo. É assim que Rita Lee define Tutti-Frutti, o show que está fazendo no teatro Tereza Rachel, em Copacabana, Rio. O seu recado é dirigido aos jovens de ontem e os velhos de amanhã. Corporalmente, Rita se expressa no dialeto das marionetes. Vocalmente, não escolhe gênero: descola desde o jazz à seresta. O que tocar ela dança. Dança e canta.

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